sábado, 17 de abril de 2010

A doutrina do purgatório revela a falta de lógica com que a cabeça teológica funciona.
O purgatório é uma espécie de Ellis Island divina, uma sala de espera hadeada para onde as almas dos mortos vão se seus pecados não forem ruins o bastante para mandá-los para o inferno, mas pracisarem ainda de umas verificações e de purificação para ser admitidas no paraíso sem pecados.
O purgatório não deve ser confundido com o limbo, para onde os bebês que morrem sem ser batizados supostamente iam. E os fetos abortados? E os blastocistos?
Agora, com pose caracteristicamente arrogante, o papa Bento XVI acaba de abolir o limbo. Isso significa que todos os bebês que lá estiveram, lânguidos, por todos esses séculos vão derrepente flutuar para o céu? Ou permanecem lá e apenas os nascidos a partir de agora estão livres do limbo?
Ou os papas anteriores estavam todos errados desde o começo, apesar de sua infalibilidade? Esse é o tipo de coisa que todos nós devemos "respeitar".